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domingo, 6 de janeiro de 2019

ASCLEA REALIZA PALESTRAS CENTENÁRIAS


Historiador Adailton Andrade 

A Academia Sancristovense de Letras e Artes (ASCLEA) realizou no Auditório do Museu de Arte Sacra, centro histórico de São Cristóvão, na última sexta (14/12), as “Palestras centenárias: José Augusto Garcez e Dom Adriano Mandarino Hipolito”. Após uma breve explanação do Presidente, Thiago Fragata, sobre os propósitos e projetos da agremiação fundada em 1º de agosto de 2017, o historiador Adailton Andrade foi convidado a iniciar os trabalhos.

DOM ADRIANO MANDARINO HIPOLITO

Personalidade festejada durante todo o ano de 2018, no Rio de Janeiro, especialmente na Baixada Fluminense, Dom Adriano Mandarino Hipolito seria completamente esquecido em Sergipe, sua terra natal, não fosse a iniciativa da ASCLEA e o incansável pesquisador quem tem como patrono Armindo Guaraná. Adailton Andrade contactou pesquisadores da vida e obra do homenageado, entrevistou familiares, confrontou documentos e palestrou magistralmente para a seleta platéia que atendeu ao covite da agremiação artístico-literária. 

Dom Adriano Mandarino Hypolito nasceu em 1918, em Aracaju/SE. Fez seus primeiros estudos na capital e em São Cristóvão, aonde passou infância e conheceu os franciscanos. Posteriormente estudou nos seminários franciscanos em Salvador/BA; João Pessoa/PB e Rio Negro/PR. Membro da Ordem dos Frades Menores, foi ordenado sacerdote em 18 de outubro de 1942. Virou símbolo da resistência ao regime militar e da luta pelos Direitos Humanos após violência afrontar seu bispado, no Rio de Janeiro. Sequestro, tortura, bombas e pichações fazem parte da vida desse grande personagem da história da Igreja e da Baixada Fluminense. Ao final da preleção, Adailton Andrade destacou que felizmente o que marcará sua passagem entre nós não será os tristes episódios, mas sua grande obra social.

No debate, Marcélio Bomfim, estudioso e vítima do regime autoritário implantado no país em 1964, compartilhou um pouco da sua vida. Na oportunidade, agradeceu ao convite e parabenizou ASCLEA por ser a única voz a recordar este sujeito tão importante na história do Brasil”.

Diferente de Dom Adriano, José Augusto Garcez não é festejado ou lembrado apenas no ano do seu centenário; a poetisa Maria Gloria criou a Ladeira de Poesia José Augusto Garcez em 1992, junto com Iradilson Bispo e outros amigos. Por iniciativa de Thiago Fragata, o Salão de Literatura do Festival de Arte de São Cristóvão foi batizado com o epiteto José Augusto Garcez no ano de 2005.

Na sua palestra, o Presidente da ASCLEA discorreu sobre origem, formação e militância cultural do homem que criou o Museu Sergipe de Arte Tradição em 1948 e o Movimento Cultural de Sergipe em 1953. Fragata lamentou a omissão de pesquisadores da vida e obra de José Augusto Garcez quanto a cidade natal; ele revelou que apesar da cepa familiar (Garcez) e do prestigio alcançado fora do Estado, da ampla rede de sociabilidade, O homenageado experimentou ostracismo/dissabores por questões de natureza política ou despeito de certa intelectualidade encastelada no poder. Ele encerrou sua intervenção citando trecho do recital Garcez Literoativo:

“Alguns homens ousados nascem em São Cristóvão. José Augusto Garcez foi um deles. E é por isso que Camara Cascudo, o pai do Folclore Brasileiro, disse certa feita: Se existisse um Garcez em cada Estado, Ah! Esse Brasil seria outro!”

ÁLBUM FOTOGRÁFICO


Adailton Andrade 
Thiago Fragata








quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

PALESTRAS CENTENÁRIAS




A Academia Sancristovense de Letras e Artes (ASCLEA) realizará na sexta, 14/12, a Palestras centenárias: José Augusto Garcez e Dom Adriano Hipolito Mandarino. Evento ocorrerá no auditório do Museu de Arte Sacra, no centro histórico, às 10 horas.

O historiador Adailton Andrade palestrará sobre Dom Adriano Hypolito Mandarino. O religioso, nascido em Aracaju, foi torturado e perseguido no regime militar e tornou-se um símbolo da resistência e defesa dos pobres. 



Quem palestrará sobre José Augusto Garcez é o historiador Thiago Fragata, atual presidente da ASCLEA. Na oportunidade serão revelados dados biográficos e novas pesquisas sobre a atuação do incansável agitador cultural sancristovense.

Thiago Fragata

sábado, 28 de julho de 2018

ADAILTON ANDRADE


Membro Fundador da Academia Sancristovense de Letras (ASCLEA). Licenciado em História, Pós-graduado em Ensino Superior em História, Pós-graduado em “Sergipe Sociedade e Cultura”, Membro do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe (IHGSE). Associado a Associação Nacional de História (ANPUH/SE). Cursou disciplinas Isoladas nos mestrados da UFS em Sociologia, História e Ciência da Religião. Membro na qualidade de pesquisador do Grupo de Estudos e Pesquisas em Memória e Patrimônio Sergipano (GEMPS/UFS/CNPq). Membro Associação dos Arquivistas Brasileiros, Mestrado em Educação. 

HONRARIA

Recebeu Título de Cidadão Rosarense pela importante contribuição no âmbito do conhecimento sobre a cidade. 

PRODUÇÃO

Biógrafo de Augusto Maynard Gomes com publicações em jornais, coletânea de livros e revistas em História. Em especial uma publicação sobre Ouvidores no Sergipe Del Rey nos Anais de história Brasil Colônia da Universidade de Coimbra Portugal. 

PESQUISAS:

- Augusto Maynard Gomes e o Julgamento de Carlos Prestes;
- Revolução de 1930 em Minas Gerais, reduto de luta e resistência;
-  Revolta da Praia Formosa de 1924;
- Biografia de Dr. Orlando Calazans Ribeiro;
- Cantadores de Coco de Sergipe;
- Ouvidorias em Sergipe D’el Rey; 
- Cristãos Novos em Maruim;
- Estrangeiros em Sergipe, contribuição para a sergipanidade.





MANOEL ARMINDO CORDEIRO GUARANÁ
PATRONO / CADEIRA N. 10 

Nasceu na cidade de São Cristóvão, em 4 de agosto de 1848, ainda capital da Província de Sergipe Del Rey. Filho de Teodoro Cordeiro Guaraná e Andrelina Muniz de Menezes. 

Cursou as primeiras letras em sua cidade natal, migrando mais tarde para outros redutos do conhecimento cientifico como o Atheneu Baiano e o Curso de Humanidades do Colégio das Artes (1865) em Pernambuco. Posteriormente, ingressou na Faculdade de Direito do Recife, importante instituição do período, consagrada por formar uma elite de intelectuais liderados por Tobias Barreto. Graduou-se em direito no ano de 1871. Dedicou-se ao jornalismo e a elaboração de diversos trabalhos que compunham jornais, revistas e outras publicações periódicas entre os anos de 1832 a 1908. Registrando assim, o primeiro dos jornais, o “Recopilador Sergipano”, editado em Estância, na Tipografia Silveira & Cia, de propriedade do monsenhor Antônio Fernandes da Silveira, enumerando publicações jornalísticas e literárias, até 1908, ano do centenário do aparecimento do primeiro dos jornais brasileiros, o Correio Brasiliense, editado em Londres, em 1808, por Hipólito da Costa. 

Em 25 de outubro de 1872, iniciou seus trabalhos como Promotor Geral da Comarca de São Cristóvão, em Sergipe, por intermédio do Juiz de Direito da referida comarca, Alexandre Pinto Lobão. Um ano depois, foi nomeado Promotor Público da capital. Em 16 de março de 18784, Armindo Guaraná foi nomeado secretário da Província do Piauí, por Carta Imperial. No mesmo ano foi habilitado ao cargo de Juiz de Direito, por ter exercido por mais de 4 anos o lugar do Promotor Público. Em 1879, foi nomeado Procurador Fiscal da Tesouraria Provincial de Sergipe, pelo presidente da Província local, Fernandes Santos, tornando-se em 1881 Promotor Público da Comarca de Estância, por intermédio do Presidente da Província, Herculano Marcos Inglez de Souza. No dia 13 de maio de 1882, Armindo Guaraná foi nomeado para secretário da Província do Ceará, por Carta Imperial, e em setembro deste mesmo ano, foi nomeado Juiz de Direito da Comarca de Oeiras, Província do Piauí, por decreto. Em 1º de dezembro de 1884, foi transferido para Itabaiana, para exercer a magistratura.

Dentre os cargos exercidos por Armindo Guaraná, vale destacar o de Chefe de Polícia Interino da Província de Sergipe, designado por Jerônimo Sandro Pereira, em 1889. No ano de 1890, Armindo Guaraná é nomeado Juiz de Casamentos, em Aracaju, pelo presidente do Brasil, o Marechal Deodoro da Fonseca. Após doze dias, o Barão de Sobral lhe comunica essa nomeação, dando-lhe um prazo de três meses para exercer suas funções. A trajetória jurídica de Armindo Guaraná termina no dia 09 de março de 1906, quando Leopoldo de Bulhões lhe concede a aposentadoria, como Juiz Federal pela Secção do Ceará, função que exercia por mais de 20 anos. 

PRODUÇÃO

Após aposentar-se, Armindo Guaraná vai para o Rio de Janeiro. Na capital federal começa a juntar os subsídios necessários para confecção de sua maior obra, o Dicionário Biobibliográfico Sergipano. Em 1911,7 retorna a Sergipe fixando-se na cidade de Aracaju. Mais tarde tornou-se sócio fundador do IHGS, e idealizador do Dicionário Biobibliográfico Sergipano, sua principal obra, que se constitui por ser um documento que possibilita aos leitores e pesquisadores, subsídios para o desenvolvimento de seus trabalhos acerca da história de vida de sergipanos que viveram entre a segunda metade do século XIX, e a primeira metade do século XX. Em 1912, associou-se ao IHGS - instituição que auxilia a várias décadas, o desenvolvimento de produções literárias e históricas, através do seu acervo bibliográfico, documental e iconográfico – tendo participado de sua fundação. Neste instituto, Armindo elaborava diversos artigos, sobre os mais variados aspectos. Atuou como redator, entre os anos de 1912 a 1916, produzindo textos para complementar a sua revista trimensal, participou da diretoria do mesmo órgão como membro da Comissão de História e Arqueologia, sendo o vice-presidente da instituição, no período de 1912 a 1913. Consta no cadastro social do Instituto, como Sócio Fundador, tornando-se sócio honorário, em 14 de julho de 1915. 

Dedicou-se ao jornalismo, a política, a magistratura e a história, elaborando diversos trabalhos que enriqueceram a estante sergipana, como Jornais, Revistas e outras publicações periódicas, de 1832 a 1908, Catálogo que registra o primeiros dos jornais, o Recopilador Sergipano, editado em Estância, na Tipografia Silveira & Cia, de propriedade do monsenhor Antonio Fernandes da Silveira, enumerando em São Cristóvão, Aracaju, Laranjeiras, Propriá, Maroim, Capela, Simão Dias, Lagarto, Santo Amaro e Neópolis, as publicações jornalísticas e literárias, até 1908, ano do centenário do aparecimento do primeiro dos jornais brasileiros, o Correio Brasiliense, editado em Londres, em 1808, por Hipólito da Costa.

O Dicionário Biobliográfico Sergipano, de Armindo Guaraná é uma obra monumental, que reúne mais de 640 biografias dos mais ilustres sergipanos, detalhadas dentro e fora de Sergipe, como um testemunho para a posteridade. É, por isto mesmo, uma fonte de referências confiáveis, cotejadas com informações diversas, que chama a atenção para a fertilidade intelectual da terra, tal o número de exemplos contidos nas páginas do livro, que teve edição póstuma, graças aos esforços dos intelectuais Prado Sampaio e Epifânio Dória, que foram os Editores e a determinação do presidente Maurício Graccho Cardoso, que autorizou os gatos com a publicação.

O Catálogo da imprensa em Sergipe foi publicado no número especial da Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, em 1908. Escreveu o Glossário etmológico dos nomes da língua tupi na geografia do Estado de Sergipe (in Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, Aracaju, 1914) e auxiliou Sacramento Blake na redação do Dicionário bibliográfico brasileiro. 

Armindo Guaraná morreu, em Aracaju, em 10 de maio de 1924.